sexta-feira, 13 de abril de 2012

Qual o problema da filosofia atualmente?

  A filosofia surge para mim, quando se contempla um momento da vida, por menor que ele seja, quando se quer eternizar um sentimento vivido, resumindo-o em uma frase, é querer fazer de uma situação um aprendizado.  Somos hoje conectados a informações rápidas, vivemos em um mundo totalmente virtual que, há atualizações constantes, descobrimos que mundo hoje é focado no presente.

  Um tempo passado longe da internet, ficamos tão desligados e desnorteados que simplesmente, nos sentimos obrigados a correr atrás do bonde que está andando em círculos, freneticamente. As pessoas hoje vivem a beira do mar, cada passo que dão, querem que o mar venha e o apague, queremos tanto o “agora” que para isso achamos desnecessário uma coisa tão humana, quanto aproveitar o momento.

 Atualmente, estamos tão focados em estar enturmado no mundo das informações que achamos não ter tempo mais para sentar e refletir. Refletir sobre como anda sua vida? Perguntar a si, se realmente queria estar fazendo na sua vida o que esta fazendo hoje? Dão-se o devido valor a ela diariamente? É obvio que qualquer pessoa assim como eu diria que não, que estamos muito ocupados estudando, trabalhando, enfim...

 Valorizar a vida não é ir a uma festa curtir, não é ficar com a multidão inteira de um show, não é chegar de madrugada em casa, e muito menos, perder o controle dela mergulhando no mundo da fantasia com as drogas. Valorizar a vida é parar, é aproveitar, é sentir-se em harmonia com todas as coisas do universo, é andar em câmera lenta e por um momento descrever esse momento pequeno em cinco páginas, é saber o que ocorre com você constantemente e não com a participante do BBB, é perceber que você tem um valor incrível nesse universo ilimitado. Isto pra mim é a verdadeira filosofia.

 E este é o mal dela hoje, é achar não termos tempo para ela, pois ainda não se descobriu que temos todo o tempo do mundo. Rezo para que não se descubram isso quando nos deparamos com a morte, pois ai, já é tarde demais. O valor da vida se consiste em entendermos que ela é única e que temos uma só chance de vivê-la, e ai, quando cada pessoa descobrir, saberá como a valoriza hoje, e se dará conta do que realmente vale a pena.

Um comentário:

  1. O mundo que desprezou o pensamento e agarrou-se às leis do poder hoje paga os juros dessa inconsciência pueril: existe subjugado pelo medo. Medo de que uma guerra nos bata à porta; medo de um ataque terrorista no lugar mais inocente e na hora menos esperada; medo de que as bolsas de valores entrem em colapso e disparem os preços dos bens essenciais; medo do empobrecimento; medo da dominação; medo de não se saber o que preparam os que exercem o controle; medo de ser descoberto, ser apanhado, perder o que tem, falhar; medo de que uma onda imensa galgue a costa e arraste, em suas brumas, toda a riqueza que se conquistou em uma vida. Na época em que os deuses eram possíveis, o problema não tinha fundamento: a promessa de uma vida eterna, do regresso a um paraíso perdido, do bem, da recompensa, da paz... tudo fazia com que os homens se desprendessem do pequeno poder e do pequeno medo consequente. Havia um futuro mais sorridente, um corolário a fazer justiça sobre todos os acontecimentos e a trazer plenitude. Depois, surgiu a época da crença nos próprios homens. Na ciência e na filosofia, na razão pura, no progresso, no sentido da história, na ética, na democracia, nas sociedades, na justiça, nas constituições. Hoje, tudo parece ter fracassado. A humanidade está convicta de que se perdeu a ingenuidade, preferindo não acreditar em nada: nem em deuses nem em homens. É nula a salvação, pois há somente a vida a correr para a morte, o porvir que nos crucifica diante do medo da perda: perder o rei que tomba perante o trono; perder o bispo que já não se liberta das leis da vida e não mais se redime frente ao altar; e da nossa própria perda pela morte, pois depois nada fica. E fracassamos, afinal, na oportunidade única de uma candidatura ao que é eterno.

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